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Apresentação
O Core i7 marca a introdução do Nehalem, baseado em uma arquitetura com muitas modificações em relação ao Penryn e aos processadores anteriores, incluindo um controlador de memória integrado e a tão esperada migração do FSB para um barramento serial ponto-a-ponto, duas melhorias que foram introduzidas anos antes pela AMD, às quais a Intel vinha resistindo até então. Embora o Core i7 seja um processador de nicho, destinado ao mercado high-end, a nova arquitetura servirá de base para os processadores Intel dos próximos anos.

Começando com um pouco de contexto histórico, no inÃcio de 2006 a Intel estava em uma situação complicada. O Pentium D, baseado na ineficiente arquitetura NetBurst perdia para o Athlon X2 tanto em termos de desempenho quanto em termos de eficiência, gastando muita energia e rendendo pouco.
Na época, os processadores AMD eram superiores tanto nos desktops quanto nos servidores e a Intel perdia terreno rapidamente em ambas as frentes. Quando tudo parecia perdido, a Intel apresentou a arquitetura Core, que deu origem ao Core 2 Duo e aos demais processadores da linha atual, com os quais conseguiram virar a mesa.
Para não repetir o erro que cometeu com a plataforma NetBurst, a Intel passou a investir massivamente em pesquisa e desenvolvimento, passando a desenvolver diversas novas arquiteturas em paralelo e a investir pesado no desenvolvimento de novas técnicas de fabricação e na modernização de suas fábricas.
O departamento de marketing se apressou em criar um termo que simboliza a nova fase, o "tick-tock" que passou a ser exaustivamente usado dentro do material publicitário da Intel. A ideia é simples: apresentar novas arquiteturas e novas técnicas de fabricação em anos alternados, onde um "tick" corresponde ao lançamento de uma nova arquitetura (como o Penryn e o Nehalem) enquanto o "tock" corresponde ao lançamento de uma nova técnica de fabricação (45 nanômetros ou 32 nanômetros, por exemplo), fechando o ciclo.
O plano é manter o público interessado, anunciando uma nova arquitetura, ou a migração para um novo processo de fabricação uma vez a cada ano e manter um ritmo rápido de evolução, que a AMD tenha dificuldades para acompanhar.
Dentro da ideia, a migração para a técnica de 65 nm em 2005 foi um "tick", o lançamento da plataforma Core, em 2006 foi um "tock" e o lançamento do Penryn em 2007, baseado na nova arquitetura de 45 nm, foi um novo "tick", que foi seguido pelo anúncio do Nahalem (pronuncia-se "nerreilem"), que representa uma nova arquitetura, ainda produzida usando a técnica de 45 nm, mas com diversas mudanças arquiteturais em relação ao Penryn.
Assim como em todos os demais processadores da Intel, o "Nehalem" é apenas o nome-código da arquitetura. Ao chegar efetivamente às prateleiras, ele ganhou o nome de Intel Core i7.
Os caches
Diferente do Yorkfield, usado nos processadores Core 2 Quad da série Q9000 (obtido através da combinação de dois processadores dual-core, ligados através do FSB), o Nehalem é um processador quad-core nativo, onde os 4 núcleos compartilham a mesma pastilha de silÃcio:
Os 4 núcleos são compostos por nada menos que 731 milhões de transÃstores, que, mesmo com a técnica de produção de 45 nanômetros, ocupam uma área de 263 mm². Para ter uma ideia, isso corresponde a mais de 10 vezes o tamanho de um Atom 230, que possui apenas 25.9 mm².
Para acomodar os 4 núcleos, a Intel fez várias mudanças na arquitetura dos caches. Em vez de um grande cache L2 compartilhado, optaram por utilizar uma arquitetura similar à utilizada pela AMD no Phenom, com um pequeno cache L2 (de 256 KB) para cada núcleo e generosos 8 MB de cache L3 compartilhados entre todos os núcleos. Dentro da arquitetura, o cache L3 assume a posição que no Core 2 Duo era executada pelo cache L2, servindo como um reservatório comum de dados.
Cache inclusivo x exclusivo
A grande diferença entre o cache do Nahalem e do Phenom reside na forma como os dados são armazenados nos caches. Nos processadores AMD é usado um cache "exclusivo", onde o cache L2 armazena dados diferentes do cache L1 e o L3 armazena dados diferentes dos do L2, maximizando o espaço de armazenamento. A Intel, por outro lado, utiliza um sistema "inclusivo" onde os cache L1 e L2 armazenam cópias de dados também armazenados no cache L3.
Embora reduza o volume total de dados que pode ser armazenado nos caches, o sistema da Intel oferece um pequeno ganho de desempenho, já que cada núcleo não precisa checar o conteúdo dos caches dos demais em busca de dados; basta verificar seu próprio cache L1 e L2 e, em seguida, o cache L3 compartilhado.
Outro motivo para o uso do cache inclusivo são os novos estágios de baixo consumo (C3 e C6) suportados pelo processador, onde alguns (ou mesmo todos os núcleos) são completamente desligados, reduzindo o consumo a um patamar bastante baixo, mas em troca causando a perda dos dados armazenados nos cache L1 e L2. Como o cache L3 é independente dos 4 núcleos, ele permanece ativo, permitindo que os núcleos recarreguem os caches a partir do L3 ao acordarem, sem que o processador precise executar operações de checagem, nem que precise buscar os dados novamente na memória RAM.
É nesse ponto que os investimentos da Intel em novas técnicas de produção se pagam, já que com transÃstores menores, eles podem se dar ao luxo de fabricar processadores maiores e com mais cache, compensando a perda de espaço causada pelo uso do sistema exclusivo com um volume maior de cache.
O cache L1 continua sendo dividido em dois blocos (32 KB para dados e 32 KB para instruções), assim como em todos os processadores anteriores, mas houve um aumento na latência de acesso, que subiu de 3 para 4 ciclos em relação ao Penryn. A perda de desempenho é compensada pela redução na latência do cache L2, que caiu consideravelmente, de 15 para 11 ciclos.
Essa redução no tempo de acesso é uma das justificativas da Intel para o uso de um cache L2 tão pequeno. Com apenas 11 ciclos de acesso, ele funciona mais como um cache nÃvel "um e meio", que serve como um intermediário entre o cache L1 e o grande bloco de cache L3 compartilhado.
O cache L3 trabalha com uma latência de 36 ciclos (nos Core i7 da série XE) a 41 ciclos (nos demais modelos), o que pode parecer bastante se comparado com a latência dos caches L1 e L2, mas é um pouco mais rápido do que o cache L3 usado no Phenom, que além de menor, trabalha com uma latência de 43 ciclos. Ao fazer overclock, é possÃvel aumentar a frequência de operação do cache L3 (vinculado à frequência do "uncore"), o que permite obter tempos de latência ligeiramente mais baixos.
Controlador de memória integrado
Outra mudança dramática é a inclusão de um controlador de memória integrado, assim como temos nos processadores AMD. O controlador de memória integrado reduz substancialmente o tempo de latência da memória, resultando em um ganho de desempenho considerável. Um dos grandes motivos o Athlon X2 ter se mantido competitivo em relação ao Core 2 Duo, apesar de possuir bem menos cache, era justamente devido ao fato de utilizar o controlador dedicado, enquanto o Core 2 Duo dependia do trabalho do chipset.
A grosso modo, podemos dizer que o Athlon X2 precisa acessar a memória com mais frequência (devido ao cache menor) mas que em compensação perde menos tempo a cada acesso devido ao controlador de memória integrado. A Intel bem que resistiu, mas acabou tendo que ceder à ideia.
Em vez de utilizar um controlador single-channel, ou dual-channel, a Intel optou por utilizar um controlador triple-channel, com suporte a memórias DDR3, operando a até 1.33 GHz. Isso significa uma banda total de até 32 GB/s (ao utilizar 3 módulos). Para ter uma ideia, isso é 40 vezes mais do que tÃnhamos há 10 anos, quando utilizávamos módulos de memória SDR PC-100 em conjunto com o Pentium III.
Os três canais operam de forma independente, de forma que o processador pode iniciar uma nova leitura em um dos módulos enquanto ainda espera os dados referentes a uma leitura anterior, realizada em outro módulo. Isso contribui para reduzir o tempo de latência do acesso à memória, que é, proporcionalmente, muito mais alto nos módulos DDR3.
Naturalmente, para tirar o melhor benefÃcio do triple-channel, é necessário usar os módulos em trios. Ao usar um único módulo, apenas um dos canais será ativado e, ao usar quatro, o último módulo compartilhará o mesmo canal com o primeiro. 
O problema com o controlador integrado é que ele aumenta substancialmente o número de contatos do processador, o que quebra completamente a compatibilidade com as placas soquete 775.
O Core i7 utiliza um soquete LGA com nada menos do que 1366 contatos. Até mesmo o formato do processador mudou, passando a ser retangular, assim como no antigo Pentium Pro:

O chipset X58
Acompanhando as mudanças no processador, foi lançado também um novo chipset, o X58, que faz par com o ICH10, que concentra as interfaces de I/O.
Como o controlador de memória foi movido para dentro do processador, o X58 é um chipset relativamente simples, que serve basicamente como uma interface entre o barramento QPI do processador, os periféricos PCI Express e o chip ICH10 (acessado através de um barramento DMI), que concentra as outras interfaces. Os transÃstores referentes à s linhas PCI Express ocupam a maior parte do die do chipset e é por isso que ele continua ocupando uma área relativamente grande.
Outra novidade é que o X58 é certificado pela nVidia para uso de SLI (ou seja, o primeiro pelo qual a Intel aceitou pagar a licença), o que permite o desenvolvimento de placas que sejam simultaneamente compatÃveis com o SLI e com o CrossFire X. Como estamos falando do topo do mercado high-end aqui, onde se paga US$ 999 pelo processador e mais US$ 400 pela placa-mãe, o suporte a SLI acaba sendo um recurso importante.
Uma observação é que as placas precisam passar por um processo de certificação para poderem oferecer o suporte a SLI, processo que inclui o pagamento de cerca de US$ 5 por placa produzida a tÃtulo de royalties para a nVidia. Com isso, nem todas as placas baseadas no X58 oferecem suporte ao SLI, muito embora ele esteja disponÃvel no chipset.
A principal observação é que triple-channel está disponÃvel apenas nos processadores da famÃlia i7, que são destinados a servidores e estações de trabalho de alto desempenho. Os processadores destinados a desktop (os Core i5, baseados no core Lynnfield) possuem apenas dois canais ativos. A mudança se reflete no soquete, que possui um número menor de contatos.
Entendendo o PQI
Um dos fatores que permitem que o Core 2 Duo supere a maioria dos processadores AMD atuais clock por clock é o fato de os processadores serem capazes de processar 4 instruções por ciclo (4 issue), contra 3 dos processadores AMD. Naturalmente, existem muitos outros fatores a se considerar (a eficiência dos circuitos de branch prediction, o tamanho e velocidade dos caches e assim por diante), mas as 4 instruções por ciclo oferecem uma vantagem considerável.
O Nehalem mantém o processamento de 4 instruções, mas adiciona uma série de refinamentos arquiteturais, que permitem que as unidades de execução sejam alimentadas com um volume maior de dados, reduzindo o tempo em que elas ficam ociosas esperando por dados armazenados nos caches ou pelo resultado de uma operação de branch prediction, por exemplo. Isso resulta em um ganho de eficiência considerável em relação ao Penryn.
Além das mudanças nos caches e a adição do controlador de memória, outra mudança é a substituição do antigo FSB por um barramento aprimorado, batizado de QuickPath Interconnect, ou QPI.
O FSB (front-side bus, ou barramento frontal), tem sido utilizado desde os primeiros processadores Intel. Ele consiste um um barramento compartilhado, que liga o processador ao chipset, como você pode ver nesse diagrama da Intel:
Como ele é usado não apenas para a comunicação entre os núcleos do processador e a memória, mas também para a comunicação entre os 2 ou 4 núcleos do processador, ele acaba estrangulando o acesso à memória, prejudicando o desempenho do sistema. O problema se agrava ao usar vários processadores em SMP, como no caso das placas para servidores, ou na plataforma Skultrail
Até o Penryn a Intel remediou o problema na base da força-bruta, simplesmente adicionando mais cache L2 aos processadores. Com o QuickPath, resolveram atacar a raiz do problema, substituindo o FSB por um barramento modernizado, composto por links independentes que operam a 4.8 ou 6.4 GT/s (a siga "GT/s" indica o volume de transações por segundo, diferente de "GHz", que indica o clock), com a transmissão de 16 bits de dados em cada direção por ciclo, resultando em um barramento de 9.6 ou 12.8 GB/s em cada direção (25.6 GB/s no total) por linha de dados.
Como a memória é agora acessada diretamente pelo controlador de memória, este link fica inteiramente disponÃvel para o tráfego de I/O. Ao utilizar dois processadores, cada processador passa a se comunicar com o chipset através de uma linha independente e uma terceira linha de dados é implantada para coordenar a comunicação entre os dois:
Ao usar 4 processadores (possibilidade que deverá ser bem explorada no caso dos servidores de alto desempenho) são incluÃdos barramentos adicionais, que fazem com que cada processador tenha acesso direto a todos os demais:
Se você acompanhou a evolução dos processadores da AMD nos últimos anos, vai notar uma grande semelhança entre o QuickPath e o HyperTransport, usado nos processadores AMD. Obviamente, não se trata de mera coincidência. A Intel estudou os pontos fortes da solução da AMD e acabou chegando a uma solução adaptada à sua arquitetura. Como dizem, a cópia é a forma mais sincera de elogio.
Loop Stream Detector
Com relação ao processamento das instruções, uma novidade importante é o Loop Stream Detector (LSD), um controlador adicional que vasculha as instruções decodificadas antes que elas cheguem ao processador, localizando instruções referentes a loops de processamento.
Em vez de reprocessar as instruções do loop repetidamente, o processar armazena as instruções em um pequeno cache interno e as executa a partir daÃ. Além de permitir ganhar tempo, isso reduz sutilmente o consumo elétrico, pois permite desativar o circuito de branch prediction, juntamente com as unidades fetch e decode durante o processamento do loop:
No Conroe (usado na geração inicial do Core 2 Duo), a Intel inaugurou o uso do "macro-ops fusion", que permite que algumas instruções especÃficas sejam fundidas durante a fase de decodificação e processadas como uma única instrução, resultando em um pequeno ganho de desempenho. No Conroe o macro-ops fusion funcionava apenas com instruções de 32 bits, mas o Nehalem ganhou suporte à fusão de instruções de 64 bits, o que é uma boa notÃcia para quem já fez ou pretende fazer a migração para um sistema de 64 bits.
A volta do Hyper Threading
O Nehalem marca também a volta do Hyper Threading, chamado agora de SMT (Simultaneous Multi-Threading) o que faz com que o processador se apresente ao sistema operacional como tendo 8 núcleos em vez de 4. Naturalmente, o SMT não dobra o desempenho do processador, servindo apenas como um recurso extra que permite que ele aproveite melhor os recursos de processamento, processando dois threads simultaneamente sempre que possÃvel.
Se você acompanhou a era do Pentium 4, talvez não tenha boas lembranças do Hyper Threading, já que ele reduzia o desempenho do processador em algumas operações e aumentava consideravelmente o consumo elétrico. No caso do Nehalem, entretanto, a função passou por uma série de melhorias, tornando-se mais eficiente. Além das otimizações, alguns outros fatores importantes são:
a) O Nahalem possui um controlador de memória integrado e caches muito maiores, o que garante um fluxo de dados muito maior. Isso é um pré-requisito para uma boa eficiência ao usar o SMT, já que ao processar dois threads simultaneamente, cada núcleo precisa ser alimentado com dados referentes a ambos.
b) Hoje em dia temos um volume muito maior de softwares otimizados para o processamento simultâneo de vários threads, diferente do que tÃnhamos na época do Pentium 4.
O ganho ao utilizar o SMT no Nehalem fica abaixo dos 10% na maioria das tarefas (em algumas situações, pode haver até mesmo uma pequena perda), mas existem alguns casos especÃficos onde ele representa ganhos expressivos, como no caso do 3DMark, onde o ganho chega aos 35%, o que não é nada ruim, considerando que ele consiste em aproveitar ciclos de processamento que de outra forma seriam desperdiçados.
Além da questão do desempenho, existe também um pequeno ganho do ponto de vista do consumo elétrico, já que ao executar as tarefas mais rápido, o processador passa mais tempo em modo de baixo consumo. É de se observar que a Intel tem utilizado o SMT também no Atom, pelo mesmo motivo.
Gerenciamento de energia
Ao contrário do deselegante Kentsfield (usado na primeira geração do Core 2 Quad), onde todos os núcleos operam sempre à mesma frequência e usando a mesma tensão, o Nehalem oferece um sistema de gerenciamento um pouco mais elegante, onde os núcleos continuam operando à mesma frequência, mas podem ser configurados com tensões diferentes, de acordo com o nÃvel de utilização. Os núcleos ociosos são colocados em um estágio de baixo consumo, onde são quase inteiramente desligados, o que permite que o processador fique com apenas um dos núcleos ativos ao executar tarefas leves, ativando e desativando os outros núcleos conforme necessário.
O gerenciamento é feito com a ajuda do PCU (Power Control Unit), um controlador dedicado, que possui seu próprio firmware e seus próprios circuitos de processamento e é dedicado unicamente à tarefa de monitorar as requisições do sistema e os nÃveis de utilização dos núcleos, tomando as decisões com relação aos clocks e tensões usadas por cada um.
O PCU ocupa uma área moderadamente grande do processador, com nada menos do que um milhão de transÃstores. É como se o Nehalem tivesse um 486 integrado, dedicado unicamente ao gerenciamento de energia.
Outra mudança importante é o Turbo Boost, no qual o processador pode aumentar a frequência de operação quando apenas um ou dois dos núcleos estiverem ativos, em uma espécie de overclock automático.
Tradicionalmente, processadores single-core ou dual-core operam a frequências ligeiramente superiores aos processadores quad-core, o que permite que eles deem combate ou até mesmo superem os sucessores em aplicativos com um baixo nÃvel de paralelismo, como no caso da maioria dos jogos. Sem dúvidas, a Intel não gosta muito de ver um simples Pentium E overclocado superar um caro Core 2 Quad em alguns testes.
Com o Turbo Boost, o Nehalem pode ser "convertido" em um processador single-core, dual-core ou triple-core em situações em que o pequeno aumento no clock compense a desativação dos núcleos adicionais, tapando esta última lacuna. Outro ponto de vista seria ter o Turbo Boost como um sistema de overclock "suportado", que permite que mesmo quem não pensa em fazer overclock possa se beneficiar de uma parte do potencial oculto do processador.
O aumento da frequência é controlado pelo PCU, que monitora o nÃvel de utilização, decidindo em que situações ele pode ser aplicado. A regra básica é que o aumento é feito apenas em situações em que resulta em um ganho tangÃvel de desempenho (já que aumenta o consumo elétrico) e apenas quando o processador está operando confortavelmente abaixo do TDP e da temperatura máxima.
Nas versões iniciais, o Turbo Boost é capaz de aumentar o clock em duas unidades (266 MHz) caso apenas um dos núcleos esteja ativo e em apenas 133 MHz caso dois ou mais estejam em atividade, mudança que é feita através do aumento do multiplicador (sem afetar a frequência dos demais componentes).
Estes pequenos aumentos equivalem apenas a um overclock leve, mas versões posteriores devem trazer aumentos mais significativos. É possÃvel também desativar o Turbo Boost através do Setup, o que é importante ao fazer overclock, já que com o processador operando mais perto do limite, qualquer aumento adicional pode ser suficiente para desestabilizar o sistema.
Uma perspectiva sombria é que versões mais agressivas do Turbo Boost podem marcar o inÃcio do fim para os overclocks, já que com o processador passando a ajustar a frequência de operação dinamicamente entre, digamos, 2.66 e 4.0 GHz, não fará muito sentido arcar com o maior consumo e a necessidade de usar um cooler superdimensionado para manter o processador trabalhando a 4.0 GHz o tempo todo.
Os modelos do Bloomfield
Um dos motivos por trás das mudanças arquiteturais do Nehalem é o mercado de servidores. A arquitetura do Core 2 Duo e derivados é derivada do Banias, que foi desenvolvido como um chip de baixo consumo para portáteis. Eles oferecem uma relação desempenho/consumo muito boa e são competitivos em relação aos processadores da AMD, mas o legado mobile pesa em algumas situações, sobretudo com relação à virtualização e desempenho em banco de dados, dois nichos importantes dentro da área dos servidores, nos quais a AMD ainda permanecia forte em relação ao Penryn.
Os primeiros processadores baseados no Nehalem receberam o codenome Bloomfield. Inicialmente, ele deu origem a apenas três processadores, o i7-920, i7-940 e o i7-965 XE, que foram seguidos pelo i7-950 e o i7-975 XE:
Core i7-975 XE: 3.33 GHz, 8 MB, DDR3-1333, TDP de 130W, multiplicador destravado
Core i7-965 XE: 3.20GHz, 8MB, DDR3-1333, TDP de 130W, multiplicador destravado
Core i7-950: 3.06 GHz, 8 MB, DDR3-1066, TDP de 130W
Core i7-940: 2.93GHz, 8MB, DDR3-1066, TDP de 130W
Corei 7-920: 2.66GHz, 8MB, DDR3-1066, TDP de 130W
Como pode ver, os três processadores oferecem basicamente as mesmas caracterÃsticas, mudando apenas o clock, que por sinal continua estacionado na casa dos 3 GHz, marca que foi atingida na época do Pentium 4. Isso acontece devido à simples questão da dissipação térmica. Seria possÃvel fabricar processadores com clock muito maior com tecnologia atual, mas o consumo e a dissipação térmica seriam inviáveis, como ficou bem claro no final da era Pentium 4.
Um bom exemplo disso é a decisão da Intel em utilizar transÃstores CMOS estáticos no Nehalem, em vez de empregar circuitos domino logic, como em todos os processadores anteriores (até o Penryn). Em resumo, o domino logic permite obter circuitos capazes de operar a frequências muito mais altas, mas que em troca consomem mais energia, enquanto o CMOS resulta em circuitos de baixo consumo.
Esta mudança não trás nenhum benefÃcio do ponto de vista do desempenho (pelo contrário, ela limita um pouco as frequências suportadas, atrapalhando quem pretende fazer overclocks mais agressivos) mas ela é positiva do ponto de vista da eficiência, permitindo que o processador opere dentro da marca dos 130 watts de TDP mesmo quando em full-load.
Em outras palavras, a Intel optou por se concentrar em otimizar a arquitetura e em reduzir o consumo dos processadores, em vez de simplesmente tentar ganhar na base da força bruta, aumentando o clock.
Como em outros processadores da Intel, o TDP das especificações indica apenas o consumo máximo dos processadores, servindo como uma referência para os fabricantes de coolers, fontes e placas-mãe, por isso acaba não sendo muito significativo. Em situações normais de uso, os recursos de gerenciamento de energia entram em ação, mantendo o consumo em nÃveis bem mais baixos.
Outra observação importante é com relação à frequência da memória. A Intel foi bastante conservadora ao adotar o DDR3-1066 como padrão nos modelos fora da série XE, muito embora a maioria dos módulos no mercado suportem frequências muito maiores.
Isso tem um motivo: a preocupação em popularizar rapidamente os módulos DDR3, abrindo assim o caminho para o crescimento da plataforma. A popularização de qualquer nova tecnologia passa pelo crescimento da produção e a queda do custo e módulos DDR3-1066 são muito mais simples e baratos de se produzir do que módulos mais rápidos.
Outro motivo por trás da decisão tem a ver com as tensões. Quase todos os módulos capazes de operar a 2 GHz ou mais utilizam tensões acima de 2 volts, muito acima da tensão nominal dos módulos DDR3 que é de apenas 1.5V. Assim como no caso dos processadores, aumentar a tensão da memória permite que os módulos sejam capazes de operar a frequências um pouco mais altas, mas trás como desvantagens o aumento no consumo elétrico e uma redução substancial na vida útil dos módulos.
A corrida em torno de módulos DDR3 mais rápidos, destinados ao público entusiasta fez com que os fabricantes passassem a vender módulos overclocados, privilegiando a frequência e o desempenho em benchmarks, em detrimento da vida útil dos módulos.
Com o i7, a Intel resolveu "começar de novo", incentivando os fabricantes a produzirem módulos mais lentos, porém capazes de trabalharem dentro das tensões nominais. Naturalmente, é possÃvel usar módulos mais rápidos ou mesmo fazer overclock da memória; entretanto, a Intel passou a advertir que o uso de tensões acima de 1.65V nos processadores da plataforma Core i7 pode danificar o controlador de memória depois de algum tempo de uso, inutilizando o processador.
Com o Nehalem, a Intel trabalhou em eliminar estes gargalos de desempenho, criando uma arquitetura que pode ser beneficiada por aumentos nos caches e outras melhorias que serão introduzidas com a migração para a arquitetura de 32 nanômetros em 2010.
Escrito por:Carlos E. Morimoto / Guia do Hardware
Veja a parte 2 desta matéria.
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Última atualização (Sáb, 10 de Outubro de 2009 12:57)
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